domingo, 15 de fevereiro de 2009

Leituras

É, sei que faz um tempão que não escrevo, mas é por absoluta e total falta de tempo. Cuidar da minha Bibizinha toma todas as horas do meu dia, inclusive aquelas em que não estou com ela. Ser mãe é overwhelming.

Mas faz tempo que ando pensando como cada vez mais o mundo está ficando medíocre. Eu ando lendo uns livros nada de mais, como Outliers e The Tipping Point, do M. Gladwell. Não é incrível que eu conheça umas três pessoas capazes de discutir o assunto destes livros comigo?

E o pior é que esses livros não são complicados, nada de Em Busca do Tempo Perdido, do Proust.

Como é que minha filha vai crescer num mundo deste tipo? Fico horrorizada com os assuntos que as pessoas querem ou gostam de falar: é o preço das coisas, que coisas querem comprar e em quantas vezes vão dividir.

Será que o mundo se resume à quantidade de coisas que uma pessoa consegue acumular? Isso é de uma pobreza de espiríto sem tamanho. Como alguém pode passar por esse mundo sem investigar, pensar sobre as coisas que fazem do mundo o que ele é?

Vivem na escuridão, tanto quanto nossos ancestrais pré-históricos. E depois ainda discutem se a humanidade vai perdurar. Com a mediocridade que vejo a minha volta, a extinção é o destino certo e sem volta.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Ser mãe e estar só

Você se sente só? Tenho me sentido muito sozinha ultimamente. Sinto que não tenho a ajuda que preciso ou gostaria de ter.

Ás vezes, parece que só eu me preocupo com certas coisas e que tenho que tomar cada vez mais decisões sozinha, arcando com a responsabilidade também sozinha.

E pra quem está anotando, detesto aquelas pessoas que não ajudam nada, mas ficam dando palpite nas coisas. Vou dar um exemplo: desde que minha bebê nasceu, sou eu quem dá banho nela. Ninguém mais fez isso sozinho (a não ser o maridón esta semana). Mas adoram ficar dando palpite sobre o horário do banho, qual a melhor posição, etc. Minha posição é: quem não faz, não ajuda, não pode dar opinião.

Eu decido uma roupinha pra ela e depois vem: tá levando casaco, sapatinho? Ora, se está preocupado, pq não arrumou vc a menina e a mala também? Que coisa mais irritante!

Agora meu sonho de consumo é arrumar ajuda profissional. Uma babá, que faça as coisas do meu jeito e me ajude um pouquinho, pois estou ficando cansada de tanto trabalho sozinha.

Sei que isso é normal para todas as mães. Depois ficam intrigados de todas as mães serem histéricas.

domingo, 16 de novembro de 2008

Periferia

Vivo mesmo na periferia do mundo. Estou louca pra comprar uns livros de primatologia e achei uma lista de uns 40 na Amazon. Só que o frete pra esta periferia do mundo é um absurdo. Pedir na Cultura, nem pensar, pois o livro sai umas 5 vezes o preço da Amazon (sem o frete). Alguém aí vai pra os EUA ou algum lugar "central" pra comprar os livros pra mim? Ai ai ai...

O pior é que os livros da Oprah são traduzidos com uma rapidez inimaginável... Assisti a um programa sobre o livro "My stroke of insight" e achei interessantezinho. Isso foi na quinta. No sábado achei o livro na livraria já em português... É mole!?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Relacionamentos (dos outros)

Para os dois leitores deste blog, alguém aí pode me responder por que cargas d´água as pessoas se preocupam tanto com a vida dos outros?

E olha que nem estou falando de mim...

Estou trabalhando há três meses como professora e no último mês fiquei no lugar da minha chefe, coordenadora do curso, cobrindo as suas férias. Aparentemente os alunos escolheram justamente este mês para ter problemas de relacionamento...

Interessante como eles dizem se "odiar" pelos motivos mais fúteis: é um que faz pergunta demais durante a aula, é outro que "se acha", um quer ligar o ventilador, outro quer desligar... Ai meu Deus!

Eu entenderia este tipo de coisa em um colégio, com adolescentes. Afinal, esta é a época na qual as relações sociais são mais intensas e eles aprendem a conviver uns com os outros.

Será difícil para pessoas de 30, 40 anos entender que a gente não precisa se gostar pra conviver!? (cara de espanto frente a uma obviedade)

Ora, eu não preciso ser amiga de ninguém para conviver com a pessoa. Aliás, eu tenho as piores opiniões sobre quase todas as pessoas que convivo: são preguiçosas, esquecidas, irresponsáveis, não sabem se comportar, etc. Mas, e daí!? Eu também não sou perfeita, tenho meus defeitos que podem incomodar (e muito) outras pessoas. Agora, isso quer dizer que eu "odeie" todo mundo!? Claro que não. Na verdade, a gente gosta das pessoas não APESAR dos defeitos, mas também POR CAUSA deles.

Como ensinar esse conceito de convivência aos alunos? Me sinto na responsabilidade de passar estes conceitos pra eles, já que sem alguma habilidade social, daqui a pouco estaremos todos nos engalfinhando nas salas de aula, no trânsito, nos elevadores...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Você é um gorila ou um chimpanzé?

Estava me lembrando de uma passagem do Eu, primata e fiquei me perguntando: eu sou uma gorila ou um chimpanzé?

A história que ele conta é a seguinte: um dia, os chimpanzés de um zoológico descobriram um jeito de saírem do seu espaço (não eram jaulas) e ficaram mais de uma semana correndo soltos pela cidade. Felizmente, nenhum homem ou chimpanzé saiu ferido nesta "brincadeira". Mas alguns macacos pelados tiveram a brillhante idéia de "libertar" os gorilas do seu espaço abrindo a clarabóia que havia no topo do seu "quarto", digamos assim, durante a noite, esperando que os gorilas fugissem.

Quando os tratadores chegaram pela manhã, encontraram os gorilas sentados placidamente, comendo algumas folhas. Mas a atitude deles era estranha, pois todos olhavam para cima frequentemente. Foi aí que os tratadores perceberam o "buraco" e trataram de fechá-lo, mas nenhum dos gorilas fugiu, mesmo tendo a noite toda para se aproveitar da situação. Aparentemente, os gorilas não são tão curiosos, enérgicos e agitados como nossos primos chimpanzés.

E eu fiquei surpresa com a constatação que sou uma gorila. Acho que se me fossem abertas as portas da "liberdade", mas totalmente desconhecida, eu ficaria no lugar em que estava. Também sou mais plácida, bonachona, como os gorilas. Isso não quer dizer que os gorilas sejam bobões. Nada disso. Só que eles não são tão histéricos como nosso primo mais troglodita, bombado e de pavio curto, o chimpanzé.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Há algo de podre...

Como é que é? Que história é essa das montadoras americanas estarem indo a falência por causa da crise? Olha, minha dissertação tem como base um artigo de 1997 que já mostra a ineficiência das montadoras americanas na gestão dos recursos... E agora vêm me dizer que a culpa é da crise?

É por essas e outras que eu estou saindo da direita radical e indo em direção ao centro. Pelo que eu vejo, essa crise está institucionalizando que os lucros são privados, mas os prejuízos são públicos...

sábado, 8 de novembro de 2008

Apes

É, eu estou em uma "fase", que já dura mais de um ano, lendo tudo que eu posso sobre os great apes, os grande primatas. Então, vou iniciar aqui uma série sobre eles, e colocar alguns links interessantes sobre o tema. Talvez até mude o endereço do blog, pra algo como: tudo que você precisa saber sobre a vida você aprende com os chimpanzés.

Só pra dar um exemplo: estava conversando outro dia com meu marido sobre a pornografia. Parece que o Pedro Cardoso (o Agostinho da Grande Família) escreveu um manifesto contra a "pornografia" na TV: a grande exibição de peitos nus, cenas de sexo, programas humorísticos com piadas de duplo sentido, etc.

Há muito pouco tempo atrás, eu compatilhava da idéia do P. Cardoso. Também achava que a super exposição de cenas de sexo era perniciosa à nossa sociedade.

Mas foi então que li alguns livros do Frans de Waal e percebi que o hedonismo sexual é algo inerente não só em nossa espécie, mas em outros primatas também.

Só que somente estas leituras não me convenceram sobre o assunto. Foi só quando, por acaso, a televisão estava ligada em uma entrevista de um diretor de cinema que eu percebi quais são as implicações de certas posições moralistas. O cineasta dizia que era uma surpresa muito grande para ele que as pessoas assistissem a filmes de violência com cenas de morte fortíssimas, como tripas para fora do corpo, cenas de decaptação, tortura, entre outras, sem nenhuma reação de indignação. Mas quando a cena era de sexo, mesmo que nenhum nu frontal estivesse incluso na cena, todos "gritavam" pela moralidade.

Ora, o que é imoral? Fazer sexo ou matar outra pessoa? Na minha humilde opinião, desde que o sexo seja consensual, é um ato absolutamente natural. Agora, o assassinato, a tortura, prejudicar outro indivíduo, isso sim é imoral!

Então, continuando o raciocínio, a conversa com o meu marido se desenrolou da seguinte forma:

- Mas daqui a pouco, Lili, nós vamos topar com gente transando na rua em plena luz do dia!

E minha resposta foi algo do tipo:

- É, pode até ser, mas hoje em dia a gente topa na rua com algo muito pior: gente matando gente a cada esquina. Veja, maridón, os homens roubam e matam com um único objetivo - conseguir mais fêmeas. Se estas já estivessem dispostas a copular com eles, talvez este impulso violento fosse diminuído!

Ao que ele respondeu:

- Ai, Lili, pelo amor de Deus, não dá pra discutir com você e essas idéias de macacos. Do jeito que as coisas vão, vamos ter que nos mudar pro Congo!

;-)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama!

E hoje o Obama levou a eleição americana! Ai ai... Só posso dizer que fiquei contentíssima com essa vitória. Não me interessa que ele seja inexperiente, tenha mais potencial do que histórico e que a situação está feia pro lado dele e de todo mundo. Essa eleição é simbólica pois mostra que as coisas estão mudando. Ela representa alguma esperança de que talvez, só talvez, eu deixe para minha filha um mundo melhor do que eu encontrei quando cheguei.

Além disso, ele representa uma bela sensação de união entre todo o mundo. Todos se idenificam com o negro oprimido na ultracompetitiva sociedade americana. Quem sabe não acontece agora o que os meus amigos chimpanzés me ensinaram: se todos se identificarem com o macho alfa, as decisões topdown serão respeitadas e nos sentiremos mais seguros e coesos como um grupo (o "grupo" do mundo todo).

E tenho mais: nunca pensei que ia presenciar no meu curto tempo aqui na terra algum evento histórico que eu soubesse que assim era! Acredito que essa eleição será um divisor de águas, daqueles dos livros de história: a queda da Bastilha, a descoberta da América! Meninos, eu vi!

domingo, 2 de novembro de 2008

Vencedor

E hoje o Massa "perdeu" o título de campeão do mundo. Perdeu é modo de dizer, por que ele tinha tudo contra e conseguiu ser campeão até que L. Hamilton passou um adversário a 500 metros do final da corrida.

Dizem que ele chorou. Não acho que deveria. Ele é segundo piloto, brasileiro, em uma equipe que só fez m... o campeonato todo e ainda assim acabou a um ponto do líder. Se isso é prova de algo, só pode ser que o Hamilton não é tão bom piloto quanto pensa.

Gosto muito do tema vencer/perder porque passei grande parte da minha vida querendo vencer todo mundo, em qualquer coisa. Fui uma criança/adolescente/jovem (agora sou uma "velha" de 25! aninhos) muito competitiva. Queria ser a primeira da classe, melhor no esporte, em tudo. Até que um dia, como uma tonelada de tijolos, uma idéia me veio: eu não preciso ser "a melhor"! Pra viver a minha vida bem, basta que eu seja o que eu quero ser.

Que constatação libertadora pra mim! Ser a melhor não era mais o meu negócio, e sim viver a vida do jeito que eu queria. Isso se tornou "vencer" pra mim.

Talvez eu buscasse aprovação sendo a melhor. Dizem que esse é um traço de personalidade comum em primogênitos. Não sei se é o caso, mas ditar as suas próprias condições é muito melhor do que viver correndo atrás da vitória.

Tem uma música que ouvi hoje, muito legal, dos Los Hermanos que expressa bem esse sentimento:

O Vencedor
Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo
Olha lá quem vem do lado oposto
E vem sem gosto de viver
Olha lá que os bravos são escravos
Sãos e salvos de sofrer
Olha lá quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?

Eu que nunca fui assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Relacionamentos

Eu realmente ando sem tempo nenhum de postar. Mas estou "precisando" escrever, já que estou sem terapeuta e minha única oportunidade de desabafar é aqui neste humilde espaço.

Será que nós podemos arcar com o peso emocional de certos relacionamentos? Tenho me sentido ultimamente carregando um peso enorme de culpa em relação a certas coisas e pessoas.

Tem certas coisas na minha vida que se eu pudesse, mudava. Mas infelizmente não posso mudar a cabeça do outro, só a minha. Certas coisas não podemos ajudar o outro a resolver, só podemos resolvê-las dentro de nós mesmos.

Sei que isso não faz nenhum sentido, mas, como tenho que escrever aqui em bits ´n pieces, o que quero dizer é: eu não posso resolver a vida dos outros, nem mesmo mudar a forma como certas pessoas me tratam. Só posso aceitá-las ou me afastar.

Se tem uma coisa que me deixa irritadíssima e com vontade de me afastar de alguém, é gente só quer reclamar e não resolver.

Outra que me deixa muito triste é questionar as minhas decisões. Ora, se sou EU que arco com o peso delas porque cargas d´água a pessoa fica questionando? É você que vai pagar minhas dívidas?

A terceira e última coisa que me deixa possessa (é assim que se escreve?) é ser medrosa. Nossa, como me dá raiva gente nervosa, sem segurança, com medo de fazer as coisas! Eu não suporto atitudes assim, isso me deixa irritadíssima.

Como eu queria voltar à minha terapia!